Hoje é Quarta feira. Dia distante, tanto da depressão da segunda feira quanto da ansiedade da sexta.

É o dia em que fico mais insuportável e busco algo ou alguem pra poder descarregar os pensamentos gerados pelos comportamentos/idéias idiotas (ao meu ver…e meu ver usa óculos escuros na quarta) que vejo ao redor frequentemente.

Hoje acordei pensando na teimosia. É uma herança de família.

Não penso na teimosia como sendo uma característica ruim. Sempre defendi e defendo a idéia de que QUALQUER característica, quando levada a um extremo ou outro de suas polaridades se torna nociva. Claro que outros fatores atenuam ou agravam seus méritos ou defeitos.

Tomemos como exemplo a teimosia do povo Judeu em peregrinar (fugir covardemente) pelo deserto durante 40 anos (embora esse fato não seja comprovado históricamente e trajeto deles foi considerado circular….ou seja: se perderam no deserto por um curto período de tempo dando voltas em circulos…). Na cultura judaica isso é considerado exemplo de fé e de DETERMINAÇÃO do povo e lembrado sempre. (a mesma determinação com que tem invadido, desde 1948, terras Palestinas como o MST faz no Brasil- sem direito e de forma violenta por serem considerados “desfavorecidos”)

Podemos tambem pegar a teimosia do nosso ex-presidente Luiz Inácio “MULA” (no sentido do animal “teimoso”, sem ser pejorativo…) da Silva e considerar como PERSISTÊNCIA, fato positivo na sua carreira política que lhe rendeu dois mandatos presidenciais.

Ou a Teimosia (neste caso PERSEVERANÇA, ao meu ver) do cantor Amado Batista. Há anos sendo considerado o maior vendedor de discos no Brasil para um público restrito ao gênero, portanto pode se considerar “seleto”, mesmo se tratando de música rotulada como BREGA ou “de corno” para quem preferir,  sem incomodar a a mídia de massa com campanhas repetitivas ou pagando “jabá” para as rádios (rádio…existe ainda esse meio de comunicação?…eu trabalhei em rádio AM 20 anos atrás…) para tocarem suas músicas.

O Senhor Amado Batista é um bom exemplo da Inteligência usada de forma sutil e adequada em prol do lucro merecido. Ele merece mais respeito e reconhecimento do que os “MÚSICOS” (eu tenho verdadeira revolta quando vejo essa escória ser tratada assim) louvados pela mídia de massa. A lista é muito grande por isso vou usar só 3 nomes recentes: Luan Santana, Michel Teló e Thiaguinho.Acho que é o sufiente para ilustrar a mediocridade artistica vendida hoje em dia.

Vamos trazer mais pra perto, pra uma realidade mais acessivel a outros, um bom exemplo de teimosia (infelizmente incomoda e nociva) utilizada na publicidade.

A NEXTEL (frisando que o produto em sí é ótimo.Espero que minha crítica atinja apenas aos estrategistas publicitários da empresa) tem levado há UM TEMPO MUITO LONGO para os padrões de propaganda, uma estética publicitária que visa atingir um publico nítidamente restrito ou “seleto” como dito anteriormente.

Sua propaganda mostra gente com ar de vencedora e perseverante. Sem medo do futuro e que faz parte do mesmo de forma atuante e inteligente. Escalou atores, profissionais de mídia, músicos e artistas para encarnar esse “way of life”, de peito cheio, cabeça erguida e dinamismo representado pela caminhada firme e “determinada”.

Acredito que essa estética limita seu público e valoriza a IMAGEM em detrimento do público POTENCIAL que procura por uma empresa de telefonia que tem, como serviço alternativo e adicional o RÀDIO (sim…ele ainda existe) que é lembrado de forma IRRITANTE através do “barulhinho mau” que o aparelho emite (som que pode ser diminuído inclusive, fato que poucos sabem e reclamam dessa chateação) distanciando esse público de um serviço ótimo que tem sido estigmatizado por campanhas CANSATIVAS e sem criatividade. Campanhas que tem como motor a idéia de que a estratégia “FACEBOOKIANA” de formar redes de amigos e grupinhos fechados vai aumentar as vendas do serviço assim como a página nefasta consegue na rede ( que, aliás tem vida útil limitada. É bom pensar nisso).

Essa característica destoa completamente da versatilidade e do alcance do produto. Outras empresas de serviço bem (BEM MESMO) inferior como a CLARO (nunca tive nem terei um…) tiveram campanhas isentas de estereótipios e “roupinhas mudérnas”  dando enfase no bem estar (lembra daquela propaganda das bolinhas vermelhas? ) que é facilmente assimilado pelo cérebro humano (por mais vazio que o seja) e expandiu seu domínio mesmo sendo medíocre.

É o momento onde a TEIMOSIA se tornou INTRANSIGÊNCIA. E isso só traz desconforto para o cliente, que é obrigado a ver uma campanha repetitiva de um artista (igualmente bom, com seus méritos artisticos e perseverança) que tem um público “seleto e limitado”, no caso a Maria Gadú, se tornar cansativo ao ponto de o expectador trocar de canal ou dar SKIP após os 5 segundos no YOUTUBE (essa coisa de propaganda no youtube é a pior coisa que surgiu recentemente) para não ter de olhar mais aquele par de óculos ou a estética “ORKUTIANA” de testimonials dos amiguinhos (carinha feliz dizendo o quanto a amam e são gratos) que não funciona na tela só estão tornando o produto mais distante do público como tambem da cantora.

Acreditar que, só porque os “Monstros sagrados da MPB” são seus padrinhos podem elevá-la a um pedestal de diva da música não dá o direito de tornarem a coitada motivo de riso (comparada ao besouro chinês da Cobrinha azul) ou de aversão (“Maria , Maria” está cansando já….) em prol de uma campanha que não funciona e que, creio eu, só existe por causa da teimosia de gente que se considera gênio em um campo congestionado pelo excesso de profissionais fracos gerados pela década passada e retrasada quando PUBLICIDADE E PROPAGANDA eram as profissões do momento.

É! Hoje eu tô insuportável mesmo…..

Música pra tirar “MARIA, MARIA” da cabeça: 11. Creation chapter 3 Autonomy.

Acyl (Argélia)- Algebra

“Algebra” foi lançado na Europa no fim do mês de Janeiro pela gravadora francesa M & O Music, apresentando um som cuidadosamente desenvolvido, complexo e dinâmico, e não a toa sendo considerado um dos grandes álbuns do ano.

Ritmos étnicos do Oriente Médio e cantos ritualísticos já aparecem na abertura do disco com “Ungratefulness”, mesclado ao Metal com interessantes nuances de musica árabe (são oriundos da Argélia). Essa tendência fica ainda mais forte na cadenciada “Head On Crash”, graças aos vocais de apoio, e na incrível “Al Kiama”, dividida em dois capítulos – “Caldeira” e “Cirat” -, sendo a primeira mais melódica e a segunda apostando em mudanças de andamento quase teatrais. E o que falar então do flerte com o Jazz em “Barzakh” e a forma como o seu tempo quebrado encaixou perfeitamente com os instrumentos étnicos? Um dos melhores momentos do álbum.

A curta instrumental “Back To Death” faz a ligação com mais uma faixa dividida em duas partes: “Babyl – Chapter 1: The False Gods” cresce partindo de arranjos acústicos e vocais limpos até passagens extremamente calcadas no Death e no Groove Metal, mudando completamente mais uma vez com “Babyl – Chapter 2: Weak And Proud”, que foca em soar tipicamente Progressiva e melódica. Mais uma faixa dividida, “Creation” é uma trilogia composta por “Demiurge”, “The Mold” e “Autonomy”, que basicamente compõe uma belíssima balada de mais de dez minutos, passeando por instrumentos acústicos e arranjos simples até o encerramento carregadíssimo de ritmos étnicos que realmente transportam o ouvinte para o ambiente do disco. Não fosse apenas isso, mais uma bonita faixa, “Hijrah”, fecha o álbum e tem o mérito de deixar você com a esquisita (mas não desagradável) sensação de ainda estar imerso na atmosfera que as músicas criam mesmo depois que elas acabam.

Em resumo, “Algebra” é um disco belíssimo e interessante, um dos mais expressivos álbuns de estreia dos últimos anos. O som do Acyl é bem calcado nessa mistura de Metal com ritmos étnicos do Oriente Médio, algo que bandas como o Myrath já faz há alguns anos. Porém, de forma alguma isso faz com que a sua música seja menos impactante, muito pelo contrário, aliás, pois o universo que eles conseguem transportar o ouvinte é muito diferente. E a riqueza de detalhes presentes nesse universo é tamanha que deve ser absorvida aos poucos, acompanhando calmamente cada passagem, uma experiência digna de um excelente álbum de Progressivo.

01. Ungratefulness
02. Head On Crash
03. Al Kiama – Chapter 1: Caldeira
04. Al Kiama – Chapter 2: Cirat
05. Barzakh
06. Back To Death
07. Babyl – Chapter 1: The False Gods
08. Babyl – Chapter 2: Weak And Proud
09. Creation – Chapter 1: Demiurge
10. Creation – Chapter 2: The Mold
11. Creation – Chapter 3: Autonomy
12. Hijrah

Lineup:

Amine Benotmane – Vocal / Guitarra / Oud / Bendir / Derbouka / Karkabou
Reda Ourdani – Guitarra / Bendir / Karkabou
Abderrahmane Abdallahoum – Guitarra
Salah Boutamine – Baixo
Michael Varas – Bateria

* A resenha eu copiei de um site de metal ( Radio Rock Clube # Amparo-SP/Brazil – obrigado mesmo! ) só dei uma polida nos termos superlativos que os metaleiros costumam usar e retirei crédito de algumas bandas usadas como exemplo que não me agradam. Mas ilustrou bem o que é o disco.

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