Não é sempre que a o superávit de atenção me deixa ter momentos de reflexão que me induzam a algum tipo de contemplação.Mas acontece.

Na realidade, tem sido constantes os momentos nos quais eu abstraio totalmente de tudo o que está acontecendo a minha volta pra mastigar algo que vou deixar pra engolir depois ou pra digerir algo que já engoli anteriormente.

Momentos assim me dão vontade de escrever nas horas mais inoportunas (para mim) e procuro guardar a sensação para traduzir com calma e parcimônia (tem idéias que são como uma injeção: se aplicadas muitos rápidamente, causam dor e desconforto mesmo que seja para um bem posterior)

Estava pensando sobre a paciencia.

A qualidade ( na minha opinião, qualquer qualidade exacerbada muda de polaridade e se torna defeito) que poucos tem de deixar o as coisas se desenvolverem no seu ritmo próprio. A consciencia de que não é tempo que passa, mas sim que NÓS passamos por ele e assim todas as coisas.

Desrespeitar esse tempo, se levada em consideração o fato que nós estamos sujeitos a ele tambem, seria um erro e nos impediria de amadurecer certas idéias e planos.

A ansiedade é, nada mais do que a falta de consciência sobre o papel do tempo na nossa existencia. É a manifestação física e mental da antecipação em relação ao que naturalmente flui à sua maneira sem qualquer intervenção.

Não se trata de uma qualidade (ou defeito) como disse anteriormente de forma a tornar o assunto mais inteligível, mas sim de uma CONSCIENCIA em relação a tudo que nos cerca.

“Perder a paciencia” com alguem deveria ser traduzido por INTOLERÂNCIA em relação ao comportameno do outro.

“Ter Santa paciencia!” ou ”possuir a paciencia de um santo!” não se trata de uma característica clerico/espiritual elevada, mas sim confiança na ESPERANÇA que determina que a fé em algo ou alguém o obrigue a ficar passivo. Novamente o conhecimento da lingua se mostra imprescindivel

A paciencia, quando usada como caminho, nos confere a capacidade de ver que a felicidade não é um lugar lindo pelo qual devemos ansiar de maneira a negligênciar a viajem que fazemos até ela.E dessa forma nos tranquiliza e deixa a certeza de que o caminho, por mais tortuoso ou difícil que seja, é exatamente o que torna o destino de chegada tão especial.

A felicidade EM SI não nos traz nada. Mas sim a busca contida no seu significado.

Quem espera a Felicidade não sabe e tem medo de concluir quantvale essa busca.

Estamos muito mal acostumados a ter tudo pronto: leite em caixinha, legumes ralados, suco filtrado ..a felicidade é uma fruta que só tem gosto quando nos damos ao trabalho de buscá-la na árvore.

Eu prefiro ficar com meus pensamentos de revolta e questionamento. A comtemplação faz com que o óbvio seja lembrado.Talvez seja assim pelo fato das coisas óbvias terem sido postas de lado ao ponto de confundir os homens com sinonimos atribuídos as qualidades e não aos significados.

“Lenda Africana

Há muito tempo, quando o país ainda não era cortado por rodovias que fazem as pessoas irem do mar às montanhas tão rápido como o vento, um mis­sionário enfrentava a dificuldade de transpor vastas áreas da África com o auxílio de carregadores. Como tinha pressa, incitava os homens a andarem cada vez mais depressa, pois queria chegar a determinado lugar em três dias.

Ao amanhecer do terceiro dia, o sol brilhava intensamente no firmamento, o ar reverberava de calor, a relva movia-se preguiçosamente ao vento e os pássaros cantavam nas árvores. O missionário insistia na partida imediata, mas os carregadores continuavam deitados e não queriam se levantar; não adiantaram os pedidos nem as ordens e ameaças.

Finalmente, ele perguntou o porquê de tanta lerdeza e recebeu a seguin­te resposta:

 – É verdade que nossos corpos estão aqui, mas temos de esperar até que nossas almas os alcancem.”

 Nossrat Peseschkian”

Adam Hurst – Elegy (2010)

http://www.mediafire.com/?yk99meig8wcbjk3

 

Em 2003, enquanto morava em Porto Seguro, conheci uma figura bastante especial. Dessas pessoas que você encontra uma unica vez na vida e depois sabe que só o acaso pode colocar no seu caminho de novo.

Se chamava GIOVANNI LEOPARDI e dizia ser “Conselheiro do Secretário de Meio Ambiente da Itália”.

Até então, devido o lugar onde eu estava e a época, eu não costumava me surpreender com títulos ou hieraquias (não acreditava em ninguém). Isso me conferia igualdade com todas as pessoas pelo fato de eu falar Inglês e Espanhol e, principalmente, ter bastante assunto.

A mulher que costumava andar a seu lado era uma mulata estonteante que em, português de favela, declarou que me queria (na frente dele achando que ele não entendia nada de português).

Por incrível que ( me ) pareça hoje em dia, eu tinha brio e valorizava demais a educação e tempo dispensados comigo pelos outros e, dessa forma me esquivei das investidas sempre com muita educação e simpatia.

Ele (como todo italiano) sabia o que se passava e assim se tornou muito confiante em relação a mim ao ponto de me dizer que gostaria de “ter tido um filho como eu” e que eu deveria ter seguido algo referente a causa ambiental por ser brasileiro e (na opinião dele) inteligente e articulado.

Ao receber seu cartão, quando foi se despedir (depois de várias farras e conversas e até uma perseguição a um Rastafari traficante de coca) , reparei na instituição da qual ele fazia parte. Ele, ao perceber meu olhar de surpresa tardia (aquela que deveria ter vindo quando me falou seu cargo) me disse orgulhosamente ser descendente direto do poéta Giácomo Leopardi (29 de junho de 1789 – 14 de junho de 1837).

Hoje, pensando em meus projetos futuros, fui jogado de volta ao passado.Com isso entendi que, certas ideias precisam amadurecer.Pra isso demanda paciencia.

“A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência heróica.”

Giacomo Leopardi

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