Há algum tempo não participo das tão frequentadas “REDES SOCIAIS” (esse nome me dá medo….).

Sem preconceito com quem tem por costume, perder vários minutos do dia questionando coisas fúteis que não levam a lugar nenhum ao invés de ler um livro. Ou esperando pela convocação para a próxima FLASH MOB para lutar com travesseiros e dizer para os netos um dia “Pra que? Para nada…fui chamado pela REDE SOCIAL…foi engraçado…”.

Na verdade sinto muita pena de quem, ao ver um comentário de outra pessoa que não faz parte do círculo de pessoas que se encontram em carne e osso, se sente diretamente ofendido como se tivesse tomado um tapa de costa de mão na cara. E ainda gasta calor corporal (emanado pelas orelhas e pescoço) fazendo percussão bahiana no teclado ao responder à tal “ofensa” com uma resposta “educadamente” hostil…que consequentemente vai voltar em forma de hostilidade educada e, na pior das hipoteses em uma deleção do quadro seleto de AMIGOS (“fulano quer ser seu amigo{?} no FACEFUCK”…)

Recentemente soube de um caso que ilustra bem o quanto a falta de percepção e o excesso de informação levam a uma contenda entre supostos amigos que nem se cruzam no corredor (do ambiente de trabalho no caso…)

Uma das “partes”, uma afro-descendente com tendências panfletárias em relação ás próprias predileções, postou algo na sua “página pessoal”( com todo direito por se tratar de algo PESSOAL)  uma foto de um casal de negros fisica e estéticamente bonitos com a legenda: NEGRO É LINDO! (e é mesmo…)

Numa sociedade adequadamente civilizada, onde as pessoas se olham nos olhos das outras enquanto dialogam, isso teria passado incólume por se tratar de uma manifestação auto afirmativa ufanista da própria etnia e origem. Algo louvável e digno de respeito….pelo menos ao meu ver (tudo bem que sou afro-descendente tambem mas sem tendências ufanistas…meu lado europeu gostaria de ter a mesma liberdade mas a sociedade estranharia uma camiseta com os dizeres “50% Italiano, 25% português e 25% negro”..ia ocupar o peito todo….) levando em consideração a minha resiliência e compreensão da pessoa em questão.

A outra das “partes” envolvidas, expressou (claramente com o intuito de demonstrar “grandeza” de espírito de quem não tem preconceito…tambem a conheço e sei que foi na melhor boa vontade se mostrar inteligente) sua opinião afirmando que, não APENAS os negros são bonitos, visto que há individuos negros que são feios (fala isso pras mães do Tião Macalé, do Amaral jogador de futebol e Zé do Prato).Assim como também há brancos feios e bonitos, japonêses e indios na mesma condição….und so weiter.

O que era pra ser um comentário pessoal de auto satisfação se tornou uma discussão sobre estética étnica mascarando a rusga RACIAL (entre individuos da RAÇA humana? Existe outra raça então?) que existe no nosso país e divide a opinião de pessoas que não tem cérebro suficiente para DESENVOLVER ou SUSTENTAR uma opinião relevante.

No Brasil não existe gente racista ou preconceituosa. No Brasil existe gente IGNORÂNTE. Gente que é incapaz de formar uma opinião baseada em conceitos próprios e lógicos e que herda a opinião alheia em cima de fatos isolados ou de medo.

É mais ou menos parecido com o “Machão que ODEIA homossexuais”. No fundo, o maior medo dele é de ser uma bicha enrustida com medo de sair do armário….(assista “Beleza Americana”…A Mena Suvari me faz suar frio até hoje…e minha irmã, em um ensaio fotográfico fez outros marmanjos suarem tanto quanto.E ela é MULATA…)

Na questão racial a ignorância é um bolo que tem por ingredientes a “Herança Histórica”(não é herança cultural….isso é ausência de cultura), a vergonha de ser possivelmente inferior em algum ambito ( lá vem o “negão…cheio de paixão…te catar, te catar, te catar…isso faz qualquer branquelo suar frio quando vê a namorada olhando um criolo sem camisa…), tudo isso besuntado em muita falta de informação cintífica sobre a formação do Homem e da sociedade.

Sobre isso, assista ao link e leia a tradução do que Cedric the Entertainer disse pro mafioso russo no filme BE COOL II “ O outro nome do Jogo”:

Transcrição traduzida:

“Você tá doido?

Quero dizer, como é que você pode desrespeitar a etnia de um homem quando você sabe que nós influenciamos quase todas as facetas da América branca.

De nossa música ao nosso jeito de vestir, para não mencionar sua imitação pobre de nosso senso de ser “cool” – andar, falar, vestir, maneirismos. Nós enriquecemos a sua própria existência, todo o tempo contribuindo para o produto nacional bruto por meio de nossas realizações na América corporativa.

São estes conceitos que me confortam quando estou diante de gente Ignorante, covarde, amarga e intolerante que não têm talento, sem coragem. Pessoas como você, que profanam as coisas que não entendem quando a verdade é que você deve dizer: “Obrigado, cara,” e continuar com o seu caminho. Mas, aparentemente, você é incapaz de fazer isso, então – (BOOM) … E não me diga para “ficar frio”. Eu SOU “frio” ! (outro BOOM) epítetos raciais. Por que sempre tem um isiota para isso? Faz-me triste por minha filha.”

Na minha opinião, uma das melhores passagens do filme.

(Suspiro profundo de olhos fechados antes de escrever…)

Meu pai era negro. Um dia , passeando comigo, perguntaram a ele se EU era filho da “Patroa”…Isso é só um comentário que aconteceu em 1979 ou 80.Não me esqueci disso.

Recentemente, tive uma experiência desagradável com alguem próximo que, até então tinha meu respeito embora tivesse tambem a minha desconfiança. A desconfiança se tornou bem fundada e o respeito em desprezo após ouvir dessa pessoa que “EU TENHO COR NORMAL…”. Passei meses pensando em qual “NORMA” essa pessoa se baseou para dizer que eu tenho cor NORMAL e meu pai NÃO. Qual foi a regra pra saber quem é digno de respeito e quem é “NASCIDO APENAS PRA FAZER FILHO PRA BRANCO CRIAR” ( o mais engraçado foi ouvir isso de uma pessoa que foi adotada quando criança e que não tem nem a quarta série completa ) e que, infelizmente ao invéz de guardar seus vitupérios para alguem tão imbecil quanto, transmitiu suas opiniões para suas gerações seguintes.

É cômico se não fosse trágico.

Levei muito mais isso em consideração pelo fato de se tratar de uma discussão ”CARA A CARA” e não de uma dedução feita em cima de uma frase de menos de 140 caracteres.

Eu tive de criar um blog para expor minhas opiniões, desabafos e comentários por ser incapaz de ser claro em um “TWEET” sem ser ofensivo ou cínico e grosso. Embora eu ache que na maioria das vezes, muita gente merece ouvir o quanto é imbecil.

Por isso tenho como costume, prestigiar os desprezados, desmistificar os incompreendidos e dar o devido valor aos que agregaram e ainda contribuem com a formação do pensamento humano.Seja essa contribuição política, cultural, tecnológica ou filosófica.

Pra aproveitar o desabafo (sobre mídias sociais, racismo e ignorância, caso você não tenha seguido a linha de raciocínio) vou “prestigiar” uma banda pertencente aos 25% afro herdados ORGULHOSAMENTE da parte do meu falecido pai (sinto sua falta quando ensino algo pro meu filho). Trata se da BLACK JACKS ou “BLK´JKS´” de Soweto, Africa do Sul.

After robots:

http://www.mediafire.com/?izrtjmjy4hv

Eles mesclam sua cultura musical (riquissima) com letras referentes a sua realidade e rock contemporâneo ( o baterista é fabuloso ). Tornaram se mais conhecidos após a copa da Africa do Sul.

Como aperitivo, posto a música de que mais gosto “Molalatladi” e o link para download do disco “After robots” de 2009.

Video “MOLALATLADI”:

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

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