Essa semana eu assisti a um filme que gerou um ciclone de pensamentos.Eles iam e voltavam conforme chegava a certas conclusões para que eu tivesse um melhor entendimento sobre os conceitos contidos neles e suas implicações assim como as discrepâncias existentes nas atitudes alheias associadas a tais pensamentos e comportamentos gerados por eles.

O filme em si é bastante acessível e chega a ser óbvio inclusive.

Se trata de “THE INVENTION OF LYING” ( “O primeiro mentiroso” em português) com o Rick Gervais (assistam…é obrigatório…) e fala sobre um mundo hipotético (o nosso mundo) onde o conceito de MENTIRA não se desenvolveu na humanidade. Todos diziam o que pensavam e isso, pelo fato de ser normal e inerente á espécie, era tomado como normal e não passivo a retaliação e desconfortos. Tudo era bastante prático e até insípido em função da verdade ser um padrão.

Minha mente inquieta ficou mastigando isso por dias. Ontem assisti ao filme novamente e com o mesmo prazer…

Pensei nas implicações de sempre dizer a verdade e não omitir nenhum pensamento ou opinião no dia a dia e me lembrei que preciso ler o livro “Sincero” (editora Verus), do jornalista alemão Jürgen Schimieder. Nele, o autor relata sua experiência de ficar 40 dias sem mentir: colegas se afastaram, ele discutiu com a mulher, perdeu dinheiro e teve as costelas quebradas pelo melhor amigo. “Foi muito doloroso e me ensinou a não fazer isso de novo nunca mais: amigos são mais importantes do que ser sincero” – segundo o próprio Jürgen.

Na realidade onde vivo e, é claro no circulo de amigos que escolhi para mim, onde a sinceridade é “raramente” confundida com DESRESPEITO e INTRANSIGÊNCIA, não consigo aceitar que um amigo chegue ao extremo de invadir o espaço físico de outro pelo fato de se sentir ofendido com uma opinião que , sendo verdade ou não é a versão sincera de alguem que a expressou sem intenção de causar qualquer ofensa.

Esse raciocínio (na verdade CONCEITO) me jogou no meio do ciclone citado no Inicio.

Pra não confundir muito vou enumerar.

Primeiro:

Ser sincero e dizer a verdade é comumente confundido com grosseria, falta de tato, aspereza ou rispidez.

Na verdade, o que gera isso não é a sinceridade em si, e sim a assimilação da opinião em relação a expectativa.

Um dos meus melhores amigos (se não o melhor deles…) me disse uma vez, numa das raras ocasiões onde me permiti perguntar se tinha dito algo ofensivo a ele (fruto de um sumiço de uma semana e meia sem noticias, torpedos …emfim…) :

“Julio…se eu fosse me ofender com tudo o que você já me disse e COMO você me disse, nós não seríamos amigos há muito tempo….”

Isso me fez discernir o quanto a sinceridade depende do BOM SENSO. (se prepare pra ver essa palavra em maiúsculas pois vai ser a predominância da tempestade mental de hoje…)

Acredito na sinceridade e trenho um circulo fechado dos amigos que tem o direito ao “EU BEM QUE TE AVISEI!!!”: são aqueles que tem o direito e o dever de me dizer aquilo que eu não gostaria mas deveria ouvir após dar uma mancada pantagruélica ou mesmo uma derrapada perigosa no meu caminho.

Não é fácil ser maleável com pessoas que se preocupam, avisam e depois apontam o dedo na nossa cara dizendo “EU LHE DISSE!!” , por isso eu recrutei três dos meus amigos mais próximos, os quais tem caracteristicas muito parecidas as minhas embora tenham personalidades completamente diferentes entre si….isso diversifica um pouco as abordagens dando uma gama maior de opiniôes para que eu veja as situações de forma mais ampla.

Analisando a forma como eu convivo com esses meus amigos e os NOSSOS defeitos mútuos eu cheguei a conclusão de que, numa relação de AMIZADE é imprescindível que haja alguns fatores:

“Carinho”: Essa característica é fruto de afinidade, mesmo que em apenas um assunto, o ser humano se identifica com o igual e repele o diferente.Isso é um fato irrevogável e irrefutável.

“Companheirismo”: A mesma afinidade nos faz concluir que a pessoa tem um amaneira parecida de absorver o que vem de fora, talvez não da mesma forma, mas de maneira próxima da nossa.Isso nos remete diretamente ao conceito de EMPATIA (muito negligenciado pela falta de compreensão do homem hoje em dia)

E por último e mais importante de todos. O RESPEITO:

É o CIMENTO da argamassa. É o que une todos tipo de relacionamento, não só o de amizade, mas o de parentesco, de amor romântico e até mesmo de desafetos.

Até certo ponto o RESPEITO (sim…em maiúsculas tambem…) é fruto da EMPATIA. Quando conseguimos transcender o EGO (dificílimo, porém possivel e necessário) e ver a situação de fora como um terceiro, é possível e louvável até sentir o RESPEITO por pessoas que nos são desagradáveis ou divergentes.

Essa deveria ser a base de toda a nossa civilização:

O RESPEITO.

Em concomitância ao filme (pra me deixar mai maluco com tantos pensamentos chacoalhando a minha serotonina disregulada) o fato de eu estar lendo um livro sobre FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO nas três principaids religiôes monoteístas (sim…eu sou ateu e por isso leio sobre o que pode gerar desconforto e divergencia com minhas opiniões para poder ter um argumento suficientemente embasado para que minha sinceridade não seja confundida com ofensa…se todos pensasem assim, muita gente teria minha simpatia…leitura obrigatória tambem assim como o filme: Karen Armstrong – Em nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo. São Paulo: Companhia das Letras.)

Esse livro me abriu uma porta imensa na minha  mente para a aceitação da opinião alheia, mas apenas quando essa opinião tem como alicerce o RESPEITO.

Quando o indivíduo se permite ser maior do que imagina e não se mantiver obtuso por meio de certezas que satisfaçam as suas expectativas, o RESPEITO toma espaço da SATISFAÇÃO. A satisfação impede que a mente vá um  pouco além do que se pode conceber por medo de se contradizer e tornar o pensamento inicial inválido. Parece confuso mas eu vou usar um exmplo bem fácil e comum a todos os nascidos em um país predominantemente católico não praticante:

POR QUE TEMOS DE ACREDITAR QUE EXISTE OUTRA VIDA APÓS A MORTE OU QUE EXISTE CÉU E INFERNO?

O ser humano tem como principio fundamental e base para tudo a própria CONSCIÊNCIA.

Qualquer coisa que vá contra a existencia da consciência gera temor e dúvida. O fim dela responderia tudo e o ser humano não se contenta com isso.

Mas, infelizmente se contenta em negar qualquer coisa que mude a sua espectativa. A sua certeza de estar feliz, ou de estar certo, ou de ter uma opinião formada, ou de não querer mudar….enfim…se fecha e se torna obtuso.

Omitir uma idéia as vezes nos impede de sermos limitados ao pensar pequeno ou não pensar o suficiente sobre algo.

E ser sincero não consiste em escrever sobre a superficie de nossos limites dando a entender que isso é definitivo e imutável.

Na minha decisão sobre mudar de comportamento (novamente enfatizando a diferença entre COMPORTAMENTO e PERSONALIDADE) recebi algumas ( na verdade apenas duas) opiniões que julguei desnecessárias à proposta do blog.

Duas opiniões que colocavam em questão o meu método em função dos conceitos e idéias superficiailmente ligadas aos anseios pessoais dos emitentes de tais opiniões.

Foi um desrespeito meu não publicar, mas teve um motivo. São pessoas que eu permito me dizer EU TE DISSE!!! , mas só pra mim.

Quanto a bandeiras, partidos e predileções, eu deixo para blogs voltados apenas para tais causas. (para quem não sabe, sou afiliado do grupo NORML, e espero que tenham um tempo para acompanhar as pesquisas e conquistas do mesmo pelo site: http://norml.org )

Quem me conhece sabe do que gosto e, principalmente sabem que eu não mudo…eu deixo para os contextos mudarem por mim e me adapto a eles para não estagnar.

Pra finalizar, duas frases de alguem com quem fui comparado (o que me preocupou um pouco no início…) recentemente e que me fazem pensar sempre.

“Não se dê ao trabalho de dar explicações, assuma simplesmente que pode fazer o que bem entender”

“Quando alguém te criticar, apenas responda: sou o que sou e não o que você quer que eu seja. “

Dr. House.

GUS!! Te amo cara! Se você mudar, não será o GUSTAPO que eu eu gosto de provocar ( aposto que consegui fazer com você o que você e o Gil sempre fizeram comigo….deixar puto!!!)

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