Archive for abril, 2012


Quando morava em Salvador BA, eu tive uma oportunidade que havia (sem querer) precognizado aos 15 aos de idade: Assistindo ao programa “Ensaio” da TV Cultura com articipação do cantor Paulinho Moska, eu disse a minha irmã – “Um dia eu quero conhecer esse cara…” –  tamanha era a simpatia e a bondade que se encontravam na sua forma de olhar.

A estética do programa possibilitava com que seu olhar (focalizado no entrevistador oculto) fosse claro e cândido. Suas palavras ao contar sobre processo de composição e sentimentos contidos nas letras despertaram em mim uma profunda sensação de afinidade e cumplicidade.

Anos depois (após muitas voltas na minha vida) eu estava a caminho da casa de um artista plástico, filho do já falecido e laureado artista plástico argentino Caribé, “Ramiro Bernabó”.

Um amigo meu alemão, tambem escultor, Markus Sandner, estava hospedado na “Casa da árvore” na propriedade de Ramiro.

Sua casa era um rodamoinho no qual artistas caiam e se conheciam de forma aleatória e inexplicável. Localizada em um condomínio fechado perto da orla de Piatã, era o local mais apropriado para essas sincronicidades acontecerem.

Quando cheguei, Markus estava “acordando” ás duas da tarde da balada do dia anterior no Pelourinho onde eu, ele e Ramiro conhecemos uns produtores de televisão americanos .Ramiro, como de costume estava curtindo sua eterna depressão e trauma de ser filho de um artista mundialmente reconhecido em seu ateliê, recebendo uma artista plástica (a coincidência mora nessa passagem) baiana, casada com um alemão e radicada em Campinas há 30 anos aproximadamente, Cristina Roese.

Enquanto Ramiro preparava uma ceia para todos, eu conversava com Cristina, que por acaso era amiga de minha ex professora de Artesanato na PUCC (saudades da Silvia) e não entendia porque eu havia trocado minha cidade por Salvador.

Ao saber que eu era de Campinas, Cristina me contou sobre sua obra no Shopping Dom Pedro (o qual eu só viria a conhecer com uma ex-namorada inglêsa um ano depois) e passamos uma hora bastante agradável.

Nos despedimos e em seguida, eu e Markus saímos pensando em onde ir  ou o que fazer naquela tarde maravilhosa em Salvador. Markus me falou sobre um show de graça no Parque Costa Azul.

O show em questão era o acústico do cantor Paulinho Moska.

Foi um dos shows mais perfeitos e agradáveis que assisti na vida.Só voz e violão.

Sua música me tocou de forma muito intima devido ao meu contexto (loucamente livre e descontrolado) na época.

Quando olhei para o lado, lembrei que eu tinha um “passaporte” para qualquer lugar da cidade: Um estrangeiro alto e ariano que poderia ser encontrado a kilometros de distancia e que não falava muito bem português!

Perguntei ao Markus se ele gostaria de conhecer o cantor. Ao ouvir um “JA!” empolgado, nos dirigimos ao backstage onde um segurança parrudo me perguntou o que eu queria. Respondi no meu melhor “baianês” que o gringo queria conhecer o “cantô”. Ele permitiu a entrada do meu amigo mas me barrou – Como o gringo vai falar com o cara? – perguntei falando bravo (pondo em risco meus dentes) e tive minha entrada garantida.

Moska é, como eu suspeitava, uma pessoa iluminada, de uma simplicidade impar e suave no trato com as pessoas.

Falamos da experiência de ser pai (embora eu estivesse “treinando” na época com uma filha que não era minha) e do jogo de palavras na música “Lagrimas de diamante” até então inédita.

Mas tudo isso só me veio a mente pelo fato de eu ter entendido algo escrito por ele muitos anos depois.

Entendi que na vida de um homem passam várias amizades, algumas paixões, poucas influências e apenas UM AMOR.

Tudo que eu gostaria de falar sobre isso ele já havia dito. E, anos depois de eu ter passado por isso tudo, o meu único e verdadeiro “AMOR” entendeu…

Poema declamado ao final da música Vênus:

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

Referências:

Markus Sandner:

http://www.markussandner.de/

Ramiro Bernabó:

http://ramirobernabo.com/

Cristina Roese:

http://www.mamcampinas.com.br/de-1980-a-1989/131-1983-cristina-roese.html

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Hoje é Quarta feira. Dia distante, tanto da depressão da segunda feira quanto da ansiedade da sexta.

É o dia em que fico mais insuportável e busco algo ou alguem pra poder descarregar os pensamentos gerados pelos comportamentos/idéias idiotas (ao meu ver…e meu ver usa óculos escuros na quarta) que vejo ao redor frequentemente.

Hoje acordei pensando na teimosia. É uma herança de família.

Não penso na teimosia como sendo uma característica ruim. Sempre defendi e defendo a idéia de que QUALQUER característica, quando levada a um extremo ou outro de suas polaridades se torna nociva. Claro que outros fatores atenuam ou agravam seus méritos ou defeitos.

Tomemos como exemplo a teimosia do povo Judeu em peregrinar (fugir covardemente) pelo deserto durante 40 anos (embora esse fato não seja comprovado históricamente e trajeto deles foi considerado circular….ou seja: se perderam no deserto por um curto período de tempo dando voltas em circulos…). Na cultura judaica isso é considerado exemplo de fé e de DETERMINAÇÃO do povo e lembrado sempre. (a mesma determinação com que tem invadido, desde 1948, terras Palestinas como o MST faz no Brasil- sem direito e de forma violenta por serem considerados “desfavorecidos”)

Podemos tambem pegar a teimosia do nosso ex-presidente Luiz Inácio “MULA” (no sentido do animal “teimoso”, sem ser pejorativo…) da Silva e considerar como PERSISTÊNCIA, fato positivo na sua carreira política que lhe rendeu dois mandatos presidenciais.

Ou a Teimosia (neste caso PERSEVERANÇA, ao meu ver) do cantor Amado Batista. Há anos sendo considerado o maior vendedor de discos no Brasil para um público restrito ao gênero, portanto pode se considerar “seleto”, mesmo se tratando de música rotulada como BREGA ou “de corno” para quem preferir,  sem incomodar a a mídia de massa com campanhas repetitivas ou pagando “jabá” para as rádios (rádio…existe ainda esse meio de comunicação?…eu trabalhei em rádio AM 20 anos atrás…) para tocarem suas músicas.

O Senhor Amado Batista é um bom exemplo da Inteligência usada de forma sutil e adequada em prol do lucro merecido. Ele merece mais respeito e reconhecimento do que os “MÚSICOS” (eu tenho verdadeira revolta quando vejo essa escória ser tratada assim) louvados pela mídia de massa. A lista é muito grande por isso vou usar só 3 nomes recentes: Luan Santana, Michel Teló e Thiaguinho.Acho que é o sufiente para ilustrar a mediocridade artistica vendida hoje em dia.

Vamos trazer mais pra perto, pra uma realidade mais acessivel a outros, um bom exemplo de teimosia (infelizmente incomoda e nociva) utilizada na publicidade.

A NEXTEL (frisando que o produto em sí é ótimo.Espero que minha crítica atinja apenas aos estrategistas publicitários da empresa) tem levado há UM TEMPO MUITO LONGO para os padrões de propaganda, uma estética publicitária que visa atingir um publico nítidamente restrito ou “seleto” como dito anteriormente.

Sua propaganda mostra gente com ar de vencedora e perseverante. Sem medo do futuro e que faz parte do mesmo de forma atuante e inteligente. Escalou atores, profissionais de mídia, músicos e artistas para encarnar esse “way of life”, de peito cheio, cabeça erguida e dinamismo representado pela caminhada firme e “determinada”.

Acredito que essa estética limita seu público e valoriza a IMAGEM em detrimento do público POTENCIAL que procura por uma empresa de telefonia que tem, como serviço alternativo e adicional o RÀDIO (sim…ele ainda existe) que é lembrado de forma IRRITANTE através do “barulhinho mau” que o aparelho emite (som que pode ser diminuído inclusive, fato que poucos sabem e reclamam dessa chateação) distanciando esse público de um serviço ótimo que tem sido estigmatizado por campanhas CANSATIVAS e sem criatividade. Campanhas que tem como motor a idéia de que a estratégia “FACEBOOKIANA” de formar redes de amigos e grupinhos fechados vai aumentar as vendas do serviço assim como a página nefasta consegue na rede ( que, aliás tem vida útil limitada. É bom pensar nisso).

Essa característica destoa completamente da versatilidade e do alcance do produto. Outras empresas de serviço bem (BEM MESMO) inferior como a CLARO (nunca tive nem terei um…) tiveram campanhas isentas de estereótipios e “roupinhas mudérnas”  dando enfase no bem estar (lembra daquela propaganda das bolinhas vermelhas? ) que é facilmente assimilado pelo cérebro humano (por mais vazio que o seja) e expandiu seu domínio mesmo sendo medíocre.

É o momento onde a TEIMOSIA se tornou INTRANSIGÊNCIA. E isso só traz desconforto para o cliente, que é obrigado a ver uma campanha repetitiva de um artista (igualmente bom, com seus méritos artisticos e perseverança) que tem um público “seleto e limitado”, no caso a Maria Gadú, se tornar cansativo ao ponto de o expectador trocar de canal ou dar SKIP após os 5 segundos no YOUTUBE (essa coisa de propaganda no youtube é a pior coisa que surgiu recentemente) para não ter de olhar mais aquele par de óculos ou a estética “ORKUTIANA” de testimonials dos amiguinhos (carinha feliz dizendo o quanto a amam e são gratos) que não funciona na tela só estão tornando o produto mais distante do público como tambem da cantora.

Acreditar que, só porque os “Monstros sagrados da MPB” são seus padrinhos podem elevá-la a um pedestal de diva da música não dá o direito de tornarem a coitada motivo de riso (comparada ao besouro chinês da Cobrinha azul) ou de aversão (“Maria , Maria” está cansando já….) em prol de uma campanha que não funciona e que, creio eu, só existe por causa da teimosia de gente que se considera gênio em um campo congestionado pelo excesso de profissionais fracos gerados pela década passada e retrasada quando PUBLICIDADE E PROPAGANDA eram as profissões do momento.

É! Hoje eu tô insuportável mesmo…..

Música pra tirar “MARIA, MARIA” da cabeça: 11. Creation chapter 3 Autonomy.

Acyl (Argélia)- Algebra

“Algebra” foi lançado na Europa no fim do mês de Janeiro pela gravadora francesa M & O Music, apresentando um som cuidadosamente desenvolvido, complexo e dinâmico, e não a toa sendo considerado um dos grandes álbuns do ano.

Ritmos étnicos do Oriente Médio e cantos ritualísticos já aparecem na abertura do disco com “Ungratefulness”, mesclado ao Metal com interessantes nuances de musica árabe (são oriundos da Argélia). Essa tendência fica ainda mais forte na cadenciada “Head On Crash”, graças aos vocais de apoio, e na incrível “Al Kiama”, dividida em dois capítulos – “Caldeira” e “Cirat” -, sendo a primeira mais melódica e a segunda apostando em mudanças de andamento quase teatrais. E o que falar então do flerte com o Jazz em “Barzakh” e a forma como o seu tempo quebrado encaixou perfeitamente com os instrumentos étnicos? Um dos melhores momentos do álbum.

A curta instrumental “Back To Death” faz a ligação com mais uma faixa dividida em duas partes: “Babyl – Chapter 1: The False Gods” cresce partindo de arranjos acústicos e vocais limpos até passagens extremamente calcadas no Death e no Groove Metal, mudando completamente mais uma vez com “Babyl – Chapter 2: Weak And Proud”, que foca em soar tipicamente Progressiva e melódica. Mais uma faixa dividida, “Creation” é uma trilogia composta por “Demiurge”, “The Mold” e “Autonomy”, que basicamente compõe uma belíssima balada de mais de dez minutos, passeando por instrumentos acústicos e arranjos simples até o encerramento carregadíssimo de ritmos étnicos que realmente transportam o ouvinte para o ambiente do disco. Não fosse apenas isso, mais uma bonita faixa, “Hijrah”, fecha o álbum e tem o mérito de deixar você com a esquisita (mas não desagradável) sensação de ainda estar imerso na atmosfera que as músicas criam mesmo depois que elas acabam.

Em resumo, “Algebra” é um disco belíssimo e interessante, um dos mais expressivos álbuns de estreia dos últimos anos. O som do Acyl é bem calcado nessa mistura de Metal com ritmos étnicos do Oriente Médio, algo que bandas como o Myrath já faz há alguns anos. Porém, de forma alguma isso faz com que a sua música seja menos impactante, muito pelo contrário, aliás, pois o universo que eles conseguem transportar o ouvinte é muito diferente. E a riqueza de detalhes presentes nesse universo é tamanha que deve ser absorvida aos poucos, acompanhando calmamente cada passagem, uma experiência digna de um excelente álbum de Progressivo.

01. Ungratefulness
02. Head On Crash
03. Al Kiama – Chapter 1: Caldeira
04. Al Kiama – Chapter 2: Cirat
05. Barzakh
06. Back To Death
07. Babyl – Chapter 1: The False Gods
08. Babyl – Chapter 2: Weak And Proud
09. Creation – Chapter 1: Demiurge
10. Creation – Chapter 2: The Mold
11. Creation – Chapter 3: Autonomy
12. Hijrah

Lineup:

Amine Benotmane – Vocal / Guitarra / Oud / Bendir / Derbouka / Karkabou
Reda Ourdani – Guitarra / Bendir / Karkabou
Abderrahmane Abdallahoum – Guitarra
Salah Boutamine – Baixo
Michael Varas – Bateria

* A resenha eu copiei de um site de metal ( Radio Rock Clube # Amparo-SP/Brazil – obrigado mesmo! ) só dei uma polida nos termos superlativos que os metaleiros costumam usar e retirei crédito de algumas bandas usadas como exemplo que não me agradam. Mas ilustrou bem o que é o disco.

http://fileshare3330.depositfiles.com/auth-13335688081d14c72a286e0d9013146f-201.82.241.69-1417875560-107556576-guest/FS333-7/acyl-algebra-2012.rar

Não é sempre que a o superávit de atenção me deixa ter momentos de reflexão que me induzam a algum tipo de contemplação.Mas acontece.

Na realidade, tem sido constantes os momentos nos quais eu abstraio totalmente de tudo o que está acontecendo a minha volta pra mastigar algo que vou deixar pra engolir depois ou pra digerir algo que já engoli anteriormente.

Momentos assim me dão vontade de escrever nas horas mais inoportunas (para mim) e procuro guardar a sensação para traduzir com calma e parcimônia (tem idéias que são como uma injeção: se aplicadas muitos rápidamente, causam dor e desconforto mesmo que seja para um bem posterior)

Estava pensando sobre a paciencia.

A qualidade ( na minha opinião, qualquer qualidade exacerbada muda de polaridade e se torna defeito) que poucos tem de deixar o as coisas se desenvolverem no seu ritmo próprio. A consciencia de que não é tempo que passa, mas sim que NÓS passamos por ele e assim todas as coisas.

Desrespeitar esse tempo, se levada em consideração o fato que nós estamos sujeitos a ele tambem, seria um erro e nos impediria de amadurecer certas idéias e planos.

A ansiedade é, nada mais do que a falta de consciência sobre o papel do tempo na nossa existencia. É a manifestação física e mental da antecipação em relação ao que naturalmente flui à sua maneira sem qualquer intervenção.

Não se trata de uma qualidade (ou defeito) como disse anteriormente de forma a tornar o assunto mais inteligível, mas sim de uma CONSCIENCIA em relação a tudo que nos cerca.

“Perder a paciencia” com alguem deveria ser traduzido por INTOLERÂNCIA em relação ao comportameno do outro.

“Ter Santa paciencia!” ou ”possuir a paciencia de um santo!” não se trata de uma característica clerico/espiritual elevada, mas sim confiança na ESPERANÇA que determina que a fé em algo ou alguém o obrigue a ficar passivo. Novamente o conhecimento da lingua se mostra imprescindivel

A paciencia, quando usada como caminho, nos confere a capacidade de ver que a felicidade não é um lugar lindo pelo qual devemos ansiar de maneira a negligênciar a viajem que fazemos até ela.E dessa forma nos tranquiliza e deixa a certeza de que o caminho, por mais tortuoso ou difícil que seja, é exatamente o que torna o destino de chegada tão especial.

A felicidade EM SI não nos traz nada. Mas sim a busca contida no seu significado.

Quem espera a Felicidade não sabe e tem medo de concluir quantvale essa busca.

Estamos muito mal acostumados a ter tudo pronto: leite em caixinha, legumes ralados, suco filtrado ..a felicidade é uma fruta que só tem gosto quando nos damos ao trabalho de buscá-la na árvore.

Eu prefiro ficar com meus pensamentos de revolta e questionamento. A comtemplação faz com que o óbvio seja lembrado.Talvez seja assim pelo fato das coisas óbvias terem sido postas de lado ao ponto de confundir os homens com sinonimos atribuídos as qualidades e não aos significados.

“Lenda Africana

Há muito tempo, quando o país ainda não era cortado por rodovias que fazem as pessoas irem do mar às montanhas tão rápido como o vento, um mis­sionário enfrentava a dificuldade de transpor vastas áreas da África com o auxílio de carregadores. Como tinha pressa, incitava os homens a andarem cada vez mais depressa, pois queria chegar a determinado lugar em três dias.

Ao amanhecer do terceiro dia, o sol brilhava intensamente no firmamento, o ar reverberava de calor, a relva movia-se preguiçosamente ao vento e os pássaros cantavam nas árvores. O missionário insistia na partida imediata, mas os carregadores continuavam deitados e não queriam se levantar; não adiantaram os pedidos nem as ordens e ameaças.

Finalmente, ele perguntou o porquê de tanta lerdeza e recebeu a seguin­te resposta:

 – É verdade que nossos corpos estão aqui, mas temos de esperar até que nossas almas os alcancem.”

 Nossrat Peseschkian”

Adam Hurst – Elegy (2010)

http://www.mediafire.com/?yk99meig8wcbjk3

 

Em 2003, enquanto morava em Porto Seguro, conheci uma figura bastante especial. Dessas pessoas que você encontra uma unica vez na vida e depois sabe que só o acaso pode colocar no seu caminho de novo.

Se chamava GIOVANNI LEOPARDI e dizia ser “Conselheiro do Secretário de Meio Ambiente da Itália”.

Até então, devido o lugar onde eu estava e a época, eu não costumava me surpreender com títulos ou hieraquias (não acreditava em ninguém). Isso me conferia igualdade com todas as pessoas pelo fato de eu falar Inglês e Espanhol e, principalmente, ter bastante assunto.

A mulher que costumava andar a seu lado era uma mulata estonteante que em, português de favela, declarou que me queria (na frente dele achando que ele não entendia nada de português).

Por incrível que ( me ) pareça hoje em dia, eu tinha brio e valorizava demais a educação e tempo dispensados comigo pelos outros e, dessa forma me esquivei das investidas sempre com muita educação e simpatia.

Ele (como todo italiano) sabia o que se passava e assim se tornou muito confiante em relação a mim ao ponto de me dizer que gostaria de “ter tido um filho como eu” e que eu deveria ter seguido algo referente a causa ambiental por ser brasileiro e (na opinião dele) inteligente e articulado.

Ao receber seu cartão, quando foi se despedir (depois de várias farras e conversas e até uma perseguição a um Rastafari traficante de coca) , reparei na instituição da qual ele fazia parte. Ele, ao perceber meu olhar de surpresa tardia (aquela que deveria ter vindo quando me falou seu cargo) me disse orgulhosamente ser descendente direto do poéta Giácomo Leopardi (29 de junho de 1789 – 14 de junho de 1837).

Hoje, pensando em meus projetos futuros, fui jogado de volta ao passado.Com isso entendi que, certas ideias precisam amadurecer.Pra isso demanda paciencia.

“A paciência é a mais heróica das virtudes, justamente por não ter nenhuma aparência heróica.”

Giacomo Leopardi

Todos nós, sendo seres sociais vivendo em comunidade, sofremos algum tipo de julgamento ou qualificação pelos que nos rodeam.E tambem exercemos sobre os mesmos as mesmas rotulações e questionamentos baseados na EMPATIA, ou seja: O que é bom/ruim para nós mesmos está sempre sendo confrontado com o meio em que vivemos e com as pessoas ao redor e consequentemente o que é bom/ruim para elas.

Isso é óbvio, não me cabe discutir isso nem questionar o gosto ou as decisões alheias. Porém, uma coisa que nos cabe e que é constantemente negligenciada é a CAPACIDADE DE DISCERNIMENTO sobre as motivações e seus resultados nas nossas vidas, e consequentemente isso entra em confronto com a método COMPARATIVO que o ser humano utiliza na sua luta vã em se convencer se está tendo uma vida plena e  FELIZ.

Começando pelo principio do DISCERNIMENTO:

Qual a característica que melhor exemplifica se as (vítimas) pessoas nas quais nos baseamos como modelo de comparação (inconscientemente na gigantesca maioria das vezes…por isso o valor de termos CONSCIÊNCIA ) estão tendo uma vida PLENA e FELIZ? ( te dou um tempo pra pensar)…

…Vamos desconsiderar fatores secundários como status social, dinheiro, ou satisfação (profissional, sexual ou espiritual)…

…OK. Vamos pegar a característica mais visível e ÓBVIA que é tomada por modelo: a ALEGRIA.

A ausência de ALEGRIA é responsável pelos questionamentos mais profundos de pessoas insatisfeitas, incompletas e, na maioria das vezes porém NÃO necessariamente a “infelicidade”

A “Alegria” alheia, é fruto do descontentamento de quem se irrita com o comportamento descompromissádo e displiscente em relação a tudo o que há em volta de quem é alegre . Pessoas alegres costumam não dar atenção a feiúra do mundo, ou a dor, tem pensamentos “edificantes” e a tendência invasiva e arbitrária de desejar que TODOS tenham as mesmas perspectivas cor de rosa cheias de pirlim-pim-pim e arco-íris musicais cintilantes.

Se consideram plenas e FELIZES por ter sempre uma esperança na manga para alimentar o comportamento enebriante e contagioso que levas as pessoas a fazerem “loucuras” para encher a vida de sabor e encantamento…

Infelizmente, essa parcela de pessoas ALEGRES e a outra parcela de pessoas com sentimentos opostos (podem ser “ranzinzas, rabugentas, tristes, solitárias, recalcadas, ou qualquer outro adjetivo depreciativo que vocês conhecerem…qualquer um serve para exemplificar…) tem como principal conceito o ERRO CONCEITUAL que torna a ALEGRIA em sinônimo de FELICIDADE.

Felicidade não deveria ser tomada como conceito.Isso é um princípio do qual deveriamos ter conhecimento baseado nas PRÓPRIAS  experiências de vida.

Não necessáriamente uma pessoa feliz é ALEGRE e vice versa.Assim como a INFELIZ não é necessáriamente TRISTE.

Pra ser mais exato, há quem acredite que, induzindo um comportamento, ou estado de consciencia (alterado em muitos casos…) alegre, vai transformar sua vida em algo menos miserável e de fácil deglutição.

Por que todo bêbado canta e ri? ( e infelizmente adora fazer barulho…)

Pode parecer até meio deprimente ver as coisas dessa maneira, mas só pra quem vê as coisas de forma  superficial. Quando se “perde” algum tempo pensando de forma correta (não negligenciando o sentimento, do contrário nos tornamos um saco…eu sei bem o que é isso…) e colocando conceitos e sensações nos contextos corretos e correlacionando os mesmos com o munco cognitivo, chegamos a concusões de que, a ilusão gerada pela maioria nos torna mais “infelizes” em função de estereótipos e arquétipos suficientemente satisfatórios para quem tem preguiça de raciocinar (mesmo que vez em quando).

Para muitos, a simples consciencia de estarem certos sobre algo é motivo de contentamento. Outras por sua vez são felizes ao serem justos, mesmo que esse sentimento (leia bem: SENTIMENTO) surja em detrimento às suas vontades ou desejos pessoais.

 Nesses casos, podemos afirmar que são pessoas INFELIZES?

Não. Definitivamente…

“Alegria” é um resultado COMUM a quem É feliz em essência. Felicidade é uma predisposição, e não um resultado. É uma condição restrita a quem sabe que é sujeito ás idiossincrasias da vida e a maneira aleatória com que os resultados ocorrem quando deixados ao acaso, ou ás suas expectativas quando sujeitos a nossa intervenção e planejamaneto, ainda assim passivos de resultados imprevisíveis em alguns casos, e tem força  e RESILIÊNCIA para aprender com os resultados sejam eles motivos de ALEGRIA ou de TRISTEZA.

A RESILIÊNCIA é confundida constantemente com a ESPERANÇA. A esperança que alimenta o coração dos que aguardam o arrebatamento, ou aos que acreditam que “SE DEUS QUISER” vão ganhar na loteria.

A RESILIÊNCIA é uma qualidade negligenciada e esquecida pela simples falta de conhecimento da etimologia:

ing. resilience (1824) ‘elasticidade; capacidade rápida de recuperação’

Sinônimos: resistente, estoicismo, invulnerabilidade
Antônimos: suscetível, vulnerável, fragilidade, frágil
Relacionadas: superação positiva, energia, choque, fibra, firmesa, resistência, regeneração, recuperação, capacidade, ressignificar a vida, propriedade física de tensão ou  estresse das adversidades.

Significados de resiliência:

Capacidade que um indivíduos ou uma população apresenta, após momento de adversidade, conseguindo se adaptar ou evoluir positivamente frente à situação.

“Após perder as pernas em um acidente de carro João ministra palestras a adolescentes sobre os riscos que um pequeno descuido pode causar às pessoas, isso é pura resiliência.”

Flexibilidade.Capacidade para adaptar-se a mudanças

Quando você é acostumado a realizar algum tipo de tarefa e , derepente a forma de realizá-la muda.Você deve ser resiliente para adaptar-se a isso.

Capacidade de se reerguer.

Alguém que após passar por uma situação difícil, é capaz de ser ou fazer o que fazia antes sempre com o mesmo foco.

Houaiss
substantivo feminino
1 Rubrica: física.
propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica
2 Derivação: sentido figurado.
capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças

O elástico (tira), para poder ser utilizado, tem que estar resiliente.

Capacidade que um corpo ou espírito possui de retornar ao seu estado original, que sofreu deformidades devido a um grande choque físico ou emocional.

Após uma grande ventania, a árvore antes desfolhada e envergada, resiliente, retornou ao seu estado de origem, ereta e frondosa.

1.Fís. Propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica.
2.Fig. Resistência ao choque.

“Aldo é uma pessoa muito resiliente”

Emfim…

Creio que os  fatores primordiais para ser pleno e feliz, não são a ESPERANÇA, nem tão pouco a ALEGRIA ou a SATISFAÇÃO.

A FELICIDADE é fruto da certeza intima de que nós somos seres adaptáveis e assimilativos. Dotados da capacidade de agir e reagir de forma a buscar e atingir SATISFAÇÂO pessoal e a ALEGRIA para desfrutar essas conquistas de forma que não interfira na vida do próximo ao ponto de suscitar a comparação de quem não tem discernimento para diferenciar DISTRAÇÃO de DIVERSÃO, ALEGRIA de FELICIDADE, DEPRESSÂO de FALTA DE VONTADE…

Conhecer a própria língua nos ajuda muito nesses casos.

E ainda tem gente que dá risada da miséria e ignorância alheia….

Assista ao viral mais visto no YouTube :

”PARA NOOOOOOOSSA ALEGRIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”

Depois compare com o seguinte… 

Assista o vídeo e se pergunte: Apesar da aridez, serão eles infelizes?

“…os seres humanos não nascem somente no dia em que suas mães lhes dão à luz, posto que a vida os obriga a parir-se a si mesmos uma ou outra vez” –
“…human beings are not born once and for all on the day their mothers give birth to them, but…life obliges them over and over again to give birth to themselves.” 

Grabriel Garcia Marques.

Tinariwen (Tamashek-berbere:  Tinariwen “desertos”, plural de Ténéré “deserto”) é uma banda de tuaregues berberes-músicos da região do deserto de Sahara do norte do Mali. A banda foi formada em torno de 1979 em campos de refugiados na Líbia, mas retornou ao Mali depois de um cessar-fogo na década de 1990.

O primeiro grupo começou a ganhar adeptos fora da região do Saara, em 2001, com o lançamento de O Sessões rádio Tisdas, e as performances no Festival au Désert, em Mali e no festival de Roskilde, na Dinamarca.

Sua popularidade cresceu internacionalmente, com o lançamento do aclamado “Aman Iman”, em 2007.

Tinariwen tem sido variavelmente descrita como “a mais forte de qualquer banda” (Songlines), “o mais rock’n’roll de todos eles” (The Times irlandês), “hard-bitten” (Slate.com), e “dramática “(The Independent).

A banda lançou seu quinto álbum Tassili em 30 de agosto de 2011. O álbum mais tarde ganhou o prêmio de Melhor Álbum World Music Awards em 54th Grammy.

Tinariwen – Tassili

http://www.mediafire.com/?kxu04t5v6ta4v7y

Há algum tempo não participo das tão frequentadas “REDES SOCIAIS” (esse nome me dá medo….).

Sem preconceito com quem tem por costume, perder vários minutos do dia questionando coisas fúteis que não levam a lugar nenhum ao invés de ler um livro. Ou esperando pela convocação para a próxima FLASH MOB para lutar com travesseiros e dizer para os netos um dia “Pra que? Para nada…fui chamado pela REDE SOCIAL…foi engraçado…”.

Na verdade sinto muita pena de quem, ao ver um comentário de outra pessoa que não faz parte do círculo de pessoas que se encontram em carne e osso, se sente diretamente ofendido como se tivesse tomado um tapa de costa de mão na cara. E ainda gasta calor corporal (emanado pelas orelhas e pescoço) fazendo percussão bahiana no teclado ao responder à tal “ofensa” com uma resposta “educadamente” hostil…que consequentemente vai voltar em forma de hostilidade educada e, na pior das hipoteses em uma deleção do quadro seleto de AMIGOS (“fulano quer ser seu amigo{?} no FACEFUCK”…)

Recentemente soube de um caso que ilustra bem o quanto a falta de percepção e o excesso de informação levam a uma contenda entre supostos amigos que nem se cruzam no corredor (do ambiente de trabalho no caso…)

Uma das “partes”, uma afro-descendente com tendências panfletárias em relação ás próprias predileções, postou algo na sua “página pessoal”( com todo direito por se tratar de algo PESSOAL)  uma foto de um casal de negros fisica e estéticamente bonitos com a legenda: NEGRO É LINDO! (e é mesmo…)

Numa sociedade adequadamente civilizada, onde as pessoas se olham nos olhos das outras enquanto dialogam, isso teria passado incólume por se tratar de uma manifestação auto afirmativa ufanista da própria etnia e origem. Algo louvável e digno de respeito….pelo menos ao meu ver (tudo bem que sou afro-descendente tambem mas sem tendências ufanistas…meu lado europeu gostaria de ter a mesma liberdade mas a sociedade estranharia uma camiseta com os dizeres “50% Italiano, 25% português e 25% negro”..ia ocupar o peito todo….) levando em consideração a minha resiliência e compreensão da pessoa em questão.

A outra das “partes” envolvidas, expressou (claramente com o intuito de demonstrar “grandeza” de espírito de quem não tem preconceito…tambem a conheço e sei que foi na melhor boa vontade se mostrar inteligente) sua opinião afirmando que, não APENAS os negros são bonitos, visto que há individuos negros que são feios (fala isso pras mães do Tião Macalé, do Amaral jogador de futebol e Zé do Prato).Assim como também há brancos feios e bonitos, japonêses e indios na mesma condição….und so weiter.

O que era pra ser um comentário pessoal de auto satisfação se tornou uma discussão sobre estética étnica mascarando a rusga RACIAL (entre individuos da RAÇA humana? Existe outra raça então?) que existe no nosso país e divide a opinião de pessoas que não tem cérebro suficiente para DESENVOLVER ou SUSTENTAR uma opinião relevante.

No Brasil não existe gente racista ou preconceituosa. No Brasil existe gente IGNORÂNTE. Gente que é incapaz de formar uma opinião baseada em conceitos próprios e lógicos e que herda a opinião alheia em cima de fatos isolados ou de medo.

É mais ou menos parecido com o “Machão que ODEIA homossexuais”. No fundo, o maior medo dele é de ser uma bicha enrustida com medo de sair do armário….(assista “Beleza Americana”…A Mena Suvari me faz suar frio até hoje…e minha irmã, em um ensaio fotográfico fez outros marmanjos suarem tanto quanto.E ela é MULATA…)

Na questão racial a ignorância é um bolo que tem por ingredientes a “Herança Histórica”(não é herança cultural….isso é ausência de cultura), a vergonha de ser possivelmente inferior em algum ambito ( lá vem o “negão…cheio de paixão…te catar, te catar, te catar…isso faz qualquer branquelo suar frio quando vê a namorada olhando um criolo sem camisa…), tudo isso besuntado em muita falta de informação cintífica sobre a formação do Homem e da sociedade.

Sobre isso, assista ao link e leia a tradução do que Cedric the Entertainer disse pro mafioso russo no filme BE COOL II “ O outro nome do Jogo”:

Transcrição traduzida:

“Você tá doido?

Quero dizer, como é que você pode desrespeitar a etnia de um homem quando você sabe que nós influenciamos quase todas as facetas da América branca.

De nossa música ao nosso jeito de vestir, para não mencionar sua imitação pobre de nosso senso de ser “cool” – andar, falar, vestir, maneirismos. Nós enriquecemos a sua própria existência, todo o tempo contribuindo para o produto nacional bruto por meio de nossas realizações na América corporativa.

São estes conceitos que me confortam quando estou diante de gente Ignorante, covarde, amarga e intolerante que não têm talento, sem coragem. Pessoas como você, que profanam as coisas que não entendem quando a verdade é que você deve dizer: “Obrigado, cara,” e continuar com o seu caminho. Mas, aparentemente, você é incapaz de fazer isso, então – (BOOM) … E não me diga para “ficar frio”. Eu SOU “frio” ! (outro BOOM) epítetos raciais. Por que sempre tem um isiota para isso? Faz-me triste por minha filha.”

Na minha opinião, uma das melhores passagens do filme.

(Suspiro profundo de olhos fechados antes de escrever…)

Meu pai era negro. Um dia , passeando comigo, perguntaram a ele se EU era filho da “Patroa”…Isso é só um comentário que aconteceu em 1979 ou 80.Não me esqueci disso.

Recentemente, tive uma experiência desagradável com alguem próximo que, até então tinha meu respeito embora tivesse tambem a minha desconfiança. A desconfiança se tornou bem fundada e o respeito em desprezo após ouvir dessa pessoa que “EU TENHO COR NORMAL…”. Passei meses pensando em qual “NORMA” essa pessoa se baseou para dizer que eu tenho cor NORMAL e meu pai NÃO. Qual foi a regra pra saber quem é digno de respeito e quem é “NASCIDO APENAS PRA FAZER FILHO PRA BRANCO CRIAR” ( o mais engraçado foi ouvir isso de uma pessoa que foi adotada quando criança e que não tem nem a quarta série completa ) e que, infelizmente ao invéz de guardar seus vitupérios para alguem tão imbecil quanto, transmitiu suas opiniões para suas gerações seguintes.

É cômico se não fosse trágico.

Levei muito mais isso em consideração pelo fato de se tratar de uma discussão ”CARA A CARA” e não de uma dedução feita em cima de uma frase de menos de 140 caracteres.

Eu tive de criar um blog para expor minhas opiniões, desabafos e comentários por ser incapaz de ser claro em um “TWEET” sem ser ofensivo ou cínico e grosso. Embora eu ache que na maioria das vezes, muita gente merece ouvir o quanto é imbecil.

Por isso tenho como costume, prestigiar os desprezados, desmistificar os incompreendidos e dar o devido valor aos que agregaram e ainda contribuem com a formação do pensamento humano.Seja essa contribuição política, cultural, tecnológica ou filosófica.

Pra aproveitar o desabafo (sobre mídias sociais, racismo e ignorância, caso você não tenha seguido a linha de raciocínio) vou “prestigiar” uma banda pertencente aos 25% afro herdados ORGULHOSAMENTE da parte do meu falecido pai (sinto sua falta quando ensino algo pro meu filho). Trata se da BLACK JACKS ou “BLK´JKS´” de Soweto, Africa do Sul.

After robots:

http://www.mediafire.com/?izrtjmjy4hv

Eles mesclam sua cultura musical (riquissima) com letras referentes a sua realidade e rock contemporâneo ( o baterista é fabuloso ). Tornaram se mais conhecidos após a copa da Africa do Sul.

Como aperitivo, posto a música de que mais gosto “Molalatladi” e o link para download do disco “After robots” de 2009.

Video “MOLALATLADI”:

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Um detalhe referente ao processo que deu vida a esse blog ( a minha mudança de hábitos…) e que tem me chamado bastante e atenção é o fato de eu ter passado mais ou menos uns 20 anos sem lembrar dos meus sonhos. Costumava acordar e tentava de toda forma me recordar de alguma passagem, qualquer cenário, pessoa… enfim.Não me lembrava de absolutamente nada e assim foi por um bom tempo.

Desde o meio de Janeiro para cá eu tenho retomado o prazer do sonho.Eles voltaram como quando eu era criança. Com cores indescritíveis e enredos tão bem estruturados que me supreendem pela coerência as vezes, ou pelo surrealismo.

Semana retrasada (tambem impotante é o fato de me lembrar QUANDO eu sonhei determinado sonho) eu sonhei que andava com amigos recentes por um jardim gramado que, ao invéz de flores era adornado por PÁSSAROS das mais variadas cores e tamanhos. Eram tantos que chegavam a cobrir totalmente a grama.Pareciam conversar entre si como se fossem nações, tribos em alguma espécie de encontro anual de aves ornamentais, cada uma ostentando plumagem mais exuberante que a outra.

Acordei pensando laranja, púrpura azul turqueza e verde-água….

 

A Conferência dos Pássaros (em persa: منطق الطیر, Mantiqu ‘t-Tayr, 1177), também traduzido para o português como A Linguagem dos Pássaros, é um livro de poemas em Persa by Farid ud-Din Attar de cerca de 4500 linhas. O enredo da história contada pelo poema é a seguinte: os pássaros do mundo se reúnem para decidir quem será seu rei, já que eles não têm nenhum. A poupa (Upupa sp.), o mais sábio de todos eles, sugere que eles devem encontrar o lendário Simorgh, um pássaro mítico persa – uma alegoria da busca por Deus. A poupa respresenta um um mestre sufi e cada uma da aves que desiste da viagem representa uma falha humana que impede o homem de atingir a iluminação. Do grupo de pássaros que parte, somente trinta pássaros consegue, finalmente, chegar ao local de moradia do Simorgh. Lá eles descobrem que eles mesmos são o rei que procuram.

Além de ser um dos exemplos mais célebres da poesia persa, este livro se baseia em um jogo de palavras entre as palavras Simorgh e “si morgh” – que significa “trinta pássaros” em persa.

Para alcançar o local onde está o Simorgh – o Monte Qaf – as aves devem atravessar sete vales: Talab (ânsia), Eshq (amor), Marifat (gnose), Istighnah (desapego), Tawhid (unidade de Deus), Hayrat (perplexidade) e, finalmente, Fuqur e Fana (abnegação e extinção). Estes vales representam as estações que um sufi ou qualquer indivíduo deve passar a perceber a verdadeira natureza de Deus.

Dentro do contexto maior da história da viagem dos pássaros, Attar conta ao leitor, em estilo poético, diversas historietas didáticas e cativantes. Toda a obra reflete a doutrina sufi, que inclui a noção mística de que Deus não é externo ou separado do universo, e sim a totalidade da existência. Os trinta pássaros buscando o Simorgh percebem que o Simorgh nada nada mais é do que a sua totalidade transcendente. Ao perceberem a verdade, eles assim chegam à estação de Baqa (subsistência), que fica no topo do Monte Qaf.

Fonte: Wikipedia

The conference of Birds:

http://sufibooks.info/Sufism/The_Conference_of_the_Birds_Fardiuddin_Attar.pdf

A conferencia dos passaros:

http://www.imagomundi.com.br/espiritualidade/conferencia_passaros.pdf

Musica inspirada na obra:

 OM– Conference of birds (2006)

http://www.mediafire.com/?dywqv1gmhln

OM – Advaitic Songs 2012

Pra me deixar louco de felicidade e ansiedade!

Pra descontrolar totalmente a minha serotonina!

Pra matar a minha fome de musicas novas da banda que mais me chamou atenção nos ultimos anos!!!!

OM (Al Cisneros e Emil Amos) estão de volta com seu Tibetean Doom Metal lacônico e espiritual. O lançamento está previsto para 24 de Julho deste ano pelo selo Drag City o qual alegou que o sucessor de “God is good”( 2009) “Alcançou um nível de composição que seria impossível de prever”!

“Advaitic Songs mantem a singularidade e o proposito que caracteriza o núcleo do som do OM, embora cada elemento avance mais a fundo do que antes,” diz o selo. Qualquer que seja estilo drone-doom que o duo tenha sido rotulado nos últimos anos, tem sido dizimado pela imaginação pura, qualidade expansiva e arranjos meticulosamente detalhada deste novo álbum.”

As faixas são:

‘Addis’
‘State Of Non-Return’
‘Gethsemane’
‘Sinai’
‘Haqq al-Yaqin’

http://omvibratory.com

Não tenho dúvida alguma quanto a isso. Podemos concluir a partir do teaser colocado a disposição abaixo:

Sem nostalgia, hoje fiquei feliz por saber que a criatividade e a contestação ainda estão presentes nos artistas de hoje em dia.

Embora seja bastante difícil encontrá los no meio de tantos comediantes apelativos e sem graça. Dos ditos “Comediantes de Stand Up” e da ridicularização da Ignorância do menos instruído (vê se peloas pérolas do You Tube “Para nossa Alegria e “Uíltubíu”) e dos bebuns de rua que tem seus segundos de fama (maldito Warhol tava certo…), me lembrei de um CARTUNISTA que, devido a amplitude da gama de coisas irrelevantes, merecia muito mais reconhecimento do grande público especializado.

Trata se do CARLOS RUAS, pai da tira UM SÁBADO QUALQUER (http://www.umsabadoqualquer.com/ ).

Ele trata do assunto DEUS de uma forma que agrada a quem pensa e não desagrada a quem “não pensa”, tornando o assunto bastante rico sem pender para apelação ou “heresia”.

Não sentia essa alegria desde quando tive a oportunidade de ENCOCHAR o ANGELI…(nuvens embaçadas de flash back….voltando no tempo)

Quando jovem (foi no começo dos 90..por aí vocês tiram uma idéia) eu era fã de publicações questionadoras como as revistas Chiclete com Banana, Animal e Circo.

A trinca de ázes até então eram Angeli, Laerte e Glauco (embora eu fosse fã mesmo do Fernando Gonzales pai do Niquel Náuzea e Vostradeus) que monopolizavam com mérito os louros e olhos do público.

Houve uma ocasião na qual o extinto “Centro Cultural Vitória, localizado no antigo hotel Vitória no centro nervoso de Campoinas, promoveu palestras em dias alternados com cada um dos “Los três amigos”.

Perdi a oportunidade de conhecer em vida o Glauco (minha mãe era fã do Geraldão e comprava “para mim” as revistas cheias de palavrões estratégicamente colocados em profusão), pois no dia de sua palestra eu estava fora da cidade. Na palestra do Laerte, me decepcionei pelo fato de o desenhista mais prolifico e versátil ter uma cabeça tão obtusa e opiniões tão vazias e um comportamento desnecessariamente blasê e infantil. Totalmente diferente dos resultados de suas obras (tá explicado por que hoje ele queima tanto o próprio filme…)

Para minha alegria veio a palestra do Angeli.

Me lembro nitidademente do dia: Eu ostentava cabelos compridos, volumosos e totalmente desgrenhados (apelidado de Ravengar….) e vestia uma camiseta da minha banda favorita até então: O Suicidal Tendencies.

No meio do tumulto que foi para pegar um cartoon desenhado pelo próprio Angeli, dei a sorte de acabar ATRÁS dele na mesa, sendo empurrado por uma multidão e tentando evitar que aquela onda humana cobrisse meu idolo.

Um imbecil (dono do fanzine xerocádo que eu fazia parte do corpo de desenhistas), a quem chamava de amigo até então, falou bem alto pra não passarem a mão na bunda dele.Foi bem no meu ouvido e isso me irritou ao ponto de eu reclamar com minha já voz já bem grave para meus então 16 anos: Tô caindo no Angeli, porra!)

Ele, com um sorriso sacana possível apenas para quem já fez todas as inconsequências possíveis, me disse delicadamente: “Rapaz…que viadagem toda é essa atráz de mim?”.

Educadamente ele me perguntou que personagem eu gostaria que ele desenhasse num sufite (o qual guardei por uma década até que as MINHAS INCONSEQUENCIAS me levassem a lugares onde acabei perdendo, infelizmente…gostaria de colocá lo aqui no blog). Para fugir do óbvio (todos pediam o Bob Cuspe e os Eskrotinhos) escolhi uma personagem que havia tempos ele não desenhava: O OSGARMO ( um cara com ejaculação precoce e perversões sexuais pouco ortodóxas). Ele respondeu rindo: Puta merda, carinha…nem me lembro como é a FORMA do Osgarmo…- Eu respondi rindo sem titubear: Sem problema…ele era DISFORME!

Guardei por anos aquele rosto em forma de poça de gosma ao lado de um desenho do Bob Cuspe (isso foi por conta da minha camiseta de banda Punk oitentista). A humildade e igualdade com a qual o Angeli tratou a mim e a todos os outros fãs foram o maior motivo pra eu carregar a admiração que tenho por ele e por essa fase tão produtiva da cultura nacional até os dias de hoje.

Prestigiem e tomem como exemplo do que procurar em se tratando de humor e traço.

http://www.umsabadoqualquer.com

E uma do Suicidal só pra matar saudade da época….(e para lembrar que eles vem tocar na VIRADA CULTURAL em Sampa)

Gunther Grass, Premio Nobel de Literatura, sofre campanha difamatória após comentar que “há um elefante no meio da sala de estar”

O que deve ser dito

Por que eu estou em silêncio, em silêncio por tanto tempo,
como é muito claro e nós o fizemos
em jogos de guerra, onde, como sobreviventes,
nós somos apenas as notas de rodapé.

Isso é o alegado direito à agressão formal de preventiva
o que poderia apagar o povo iraniano
dominado por um segurança e se mudou para um júbilo organizada,
porque na área da sua competência há
a construção da bomba atómica.

E então por que eu me evitar
para chamar o outro país com o seu nome,
onde desde há anos – mesmo que secretamente coberto –
há um aumento de energia nuclear,
sem controle, porque inalcançável
por cada inspecção?

Sinto o silêncio todos neste estado de coisas,
que o meu silêncio é escravo,
como uma mentira opressivo e uma inibição que apresenta castigo
não prestar atenção;
o veredicto “anti-semitismo” é comum.

Agora, uma vez que o meu país,
de vez em quando tocado por crimes únicas e exclusivas,
obrigado a justificar-se,
novamente para fins comerciais puros – mesmo se
com a língua rápida chamamos isso de “reparação” –
deve entregar outro submarino para Israel,
com a especialidade de dirigir
ogivas aniquilação onde o
existência de uma bomba atômica não está provada
mas quer provas como um espantalho,
Eu digo o que deve ser dito.

Por que eu fiquei em silêncio até agora?
Porque o pensamento sobre a minha origem,
sobrecarregados por um mancha indelével,
tinha evitando que esperar este fato
como uma verdade declarada pelo Estado de Israel
que eu quero ser associado.

Por que eu digo que só agora,
de idade e com a tinta última:
o poder nuclear de Israel
ameaça a paz mundial?
Uma vez que deve ser dito
o que o amanhã será tarde demais;
Porque – como os alemães e com
falhas suficientes na passado –
podemos também tornar-nos distribuidores de um previsível
crime, e nenhuma desculpa apagaria a nossa cumplicidade.

E eu admito: eu não vou ficar em silêncio
porque eu tive o suficiente da hipocrisia ocidental;
Porque eu desejo que muitos vão querer
para se livrar do silêncio,
exortando a causa de um reconhecível
risco à abdicação, pedindo que o controle de uma sociedade livre e permanente
do poder de Israel atômica
e as bases nucleares do Irã
será feita por ambos os governos
com uma supervisão internacional.

Só assim, israelenses, palestinos e toda a gente,
todas as pessoas vivendo face a face com a hostilidade em que
um país ocupado pela loucura,
terá uma saída,
e para nós também.

Gunther Grass

Óbvio, direto e passivo de represálias. Acredito que o bom senso de quem tem olhos e vê fale mais alto. A omissão internacional está se tornando vergonhosa. Já o é desde 1948. Agora se tornou uma responsabilidade negligenciada trazaendo consequências para o “bom senso” a “justiça” e seus respectivos significados.

Emel Mathlouthi – Ma lkit (Not Found) 

Couldn’t find a place to close my eyes ( Não encontrei um lugar pra fechar os olhos)

Couldn’t find a single friend who can answer me (não encontrei um amigo que pudesse me responder)

Couldn’t fin a wave to drive me away (não encontrei uma onda que me levasse embora)

Couldn’t find words to say ; to express my anxiety (não encontrei palavras pra dizer; pra expressar minha ansiedade)

Couldn’t find something to explain what’s happening (não encontrei algo que explicasse o que está acontecendo)

Couldn’t find a melody that breaks

breaks human’s hatred (não encontrei uma melodia que quebrasse, que quebre o ódio humano)

Couldn’t find my people (não encontrei meu povo)

Couldn’t find my family (não encontrei minha familia)

Couldn’t find rest  (não encontrei descanso)

Couldn’t find happiness  (não encontrei a felicidade)

Couldn’t find my way  (não encontrei meu maneira)

Couldn’t find my path (não encontrei meu caminho)

 

Acredito que mais nada precisa ser dito…

Links variados com cursos para quem gosta de ocupar o tempo ocioso com estudos:

Em Inglês:

http://www.ocwconsortium.org/en/courses/catalog

http://ocw.mit.edu/index.htm

É tudo free…

Em Português:

http://www5.fgv.br/fgvonline/CursosGratuitos.aspx

É tudo grátis…

Enjoy.