Como primeiro post, preciso esclarecer o motivo pelo qual foi criado e a sua finalidade:

Fumei maconha por 20 anos e sempre achei isso natural.Não atrapalhava minha vida social nem profissional e até melhorava o desempenho sexual …ou seja…eu sempre fui um adepto fiel da causa.

Acreditava que o “acaso” ou algum tipo de Deus sempre designou qualquer sorte ou infortúnio em minha vida pois era muito difícil para mim ser plenamente ciente do que se passava na minha mente.

Antes que isso tome o aspecto de conversinha de “ex usuário”, eu tomo um desvio para o que quero realmente expor…

A maconha não foi um problema.Na verdade, chegou ao ponto de ser uma solução para a minha personalidade.

Após 20 anos (fumava desde os 17) fumando, percebi que poucas pessoas me conheciam como eu realmente era. Tinha medo que aminha assertividade incisiva e minha sinceridade morbidamente obesa e pesada me deixassem distante dos que amava.

Sempre fui considerado como calmo (embora frisasse que sou “controlado”), ZEN, pacifico…todos os adjetivos comuns às pessoas produtivas que tem por Hábito (preste atenção: HÁBITO) fumar um “recreativo” recebem ao longo da vida.

Meu caso era mais complexo.

Eu me viciei na PERSONA gerada pelo meu VÍCIO (não se assuste com o termo…tem viciados em trabalho, em musica, em qualquer coisa…) e os benefícios e o carisma dessa personalidade entorpecida.

Minhas qualidades exageradas eram defeitos ao meu ver e por isso sentia a necessidade de colocar um freio nessas características, e com isso perdi coisas em minha vida que julgo importantes e algumas feridas começaram…voltaram a doer…

Não acredite na máxima que “fumar diminui a memória”. Pelo que eu já fumei, era pre ter esquecido até meu nome, mas o que eu queria ter esquecido ainda está gravado em meu peito.

Lembrando (novamente) que não se trata de um lamento de ex-adicto (outra palavra que não suporto…) quero deixar claro a todos: EU ADORO FUMAR, E ADORO AS IDÉIAS MALUCAS E ENGRAÇADAS QUE TENHO NO EFEITO DE CANNABINÓIDES.Porém, hoje tenho plena consciência do que é RECREAÇÃO. Adoro beber uma Guinness com os amigos uma, duas vezes por mês, amo  ir ao Cinema uma vez ou outra…Fumar 24 horas ao dia não era recreação.Era escapismo.Fumar uma vez ao mes…ocasionalmente é a melhor sensação de auto-controle isento de abstinencia que se pode vivenciar.

Minha família chegou ao extremo de, delicadamente, se oferecerem para ajudar com os gastos com meu “remédio fitoterápico informal” pois preferiam o meu estado de torpor e docilidade do que a minha visão racional e truculenta do mundo ao meu redor.

Isso para mim foi como uma afronta. Sempre fui do contra e, ter o mundo querendo que eu fosse um maconheiro me levou a ir de encontro com a maré. Resolvi parar.

Aconselhado pelo meu melhor amigo, que tinha o mesmo problema em relação ao vício, resolvi me consultar com um psiquiátra para me confirmar uma suspeita antiga de que tinha TDAH “Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade”(inclusive, esse blog era pra ser sobre o tema), pois ele tinha sido diagnosticado com esse problema e acreditava que era o meu caso também.

Para minha surpresa, fui diagnosticado com o OPOSTO: Meu problema é SUPERAVIT DE ATENÇÃO! Tudo que acontece a minha volta é captado pelos meus sentidos, amigdalas, glandulas e afins. Todos os processos na minha cabeça rodavam em conjunto não dando espaço para eu poder concluir uma ideia ou ter total consciencia de qualquer coisa captada nesse turbilhão.

A contra gosto, fui aconselhado a tomar um medicamento leve para controlar a Serotonina do meu cérebro e domar essa ansiedade burburilante.

Estou tendo bastante êxito com isso, embora minhas qualidades, antes tidas por defeitos, estejam ainda colocando alguns aspectos da minha vida em ordem.E isso incorre em perdas necessárias e ganhos surpreendentes.

Eu prefiro ter 5 bons amigos a ser o cara mais “sociável do mundo”.

Eu prefiro levar tempo para concluir planos e idéias do que ter todos os planos mais espetaculares e perdê-los no redemoinho de pensamentos desordenados e desejos desperdiçados.

Está na hora de descobrir uma maneira de mostrar aos que me conhecem o cara que eu deveria ter sido desde os 17 anos e provar que ele é tão agradável quanto o antigo. Talvez seja melhor ter um amigo verdadeiro que fala o que deve ser dito por amor e respeito, mesmo sendo duro, a ser um “camarada” que dá consolo e tranquilidade omitindo a visão do mundo desmoronando ao redor.

Aqui vou postar tudo que me incomoda e talvez algumas idéias (só quando estiverem já em prática) para discussão.

No final vou sempre deixar um pensamento do Voltaire. Ele sabia ser carismático e ainda sim incisivo….e era tão pedante e insolente quanto eu.

Está na hora de “Voltaire a consciencia”! (trocadilho infame…mas necessário…)

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